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Por dentro da carreira de professor no grupo que emplacou 5 escolas entre as 15 melhores do país

30 de novembro de 2015

Matéria publicada em Na Prática, 30/11/2015.

Não é de hoje que a preocupação com a educação brasileira ocupa lugar central nas demandas da sociedade por melhorias estruturais no país. Para conquistar avanços nesse campo, no entanto, é importante engajar todos os envolvidos no ecossistema da educação — principalmente os professores.

Nesse sentido, o cenário é ambíguo. Por um lado, percebe-se um aumento do desinteresse dos jovens em seguirem a carreira de professor (menos de 2% dos estudantes, segundo pesquisa de 2010 da Fundação Victor Civita). Por outro, surge no país uma nova leva de jovens talentosos e dipostos a desafiar esse problema de frente. De que lado você prefere estar?

Caio-Lo-Bianco-Eleva-Educacao

O carioca Caio Lo Bianco, bolsista da Fundação Estudar, também faz parte desse movimento. Formado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio), ele sempre foi um apaixonado por educação. Hoje, trabalha como trainee no Eleva Educação, empresa com investimentos do Gera, fundo venture capital de Jorge Paulo Lemann para a área de educação. A Eleva é responsável pelo aprendizado de mais de 50 mil alunos, por meio de escolas próprias e escolas parceiras espalhadas pelos Brasil inteiro. Em 2015, emplacou quatro de suas escolas entre as 15 melhores no Enem.

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Mas se engana quem imagina Caio, pela sua formação, focado em alguma função administrativa. Atualmente, ele divide seu tempo entre a sala de aula — ensinando Matemática para alunos do Ensino Fundamental — e outras atividades pedagógicas, como a elaboração de materiais didáticos. A seguir, ele fala sobre os desafios da profissão de professor e a decisão de abrir mão de uma carreira tradicional em economia para se dedicar a sua paixão:

Como você se envolveu com a temática de educação?
Foi muito por influência da minha avó, que era diretora de colégio e professora de línguas. Desde que eu era criança ela sempre discutiu muito comigo sobre educação, enviava cartas com recortes de jornais e reportagens sobre o tema. Então isso foi instigando em mim um interesse por educação. Essa história de crescer ouvindo e discutindo temas e propostas de educação… Eu fiquei apaixonado pelo setor e nunca pretendo mudar de área. Ao mesmo tempo, eu também queria ter um impacto na sociedade por meio da minha atuação profissional e, para mim, educação foi e sempre vai ser a forma mais palpável de atingir esse impacto. Na faculdade, dei aulas em um cursinho como voluntário. Até cheguei a fazer um estágio na indústria, durante um intercâmbio em Londres, para ver se eu gostava da experiência. Mas isso só reforçou a ideia de que não, que o que eu queria mesmo era o mercado de educação.

Como é o seu trabalho na Eleva Educação?
Eu entrei como estagiário para trabalhar na parte de gestão. Durante meu primeiro ano, ajudei a desenvolver a parte de metas de todas as áreas da empresa. Assim, era necessário entender o funcionamento de cada parte da empresa. Isso foi muito legal porque me deu uma visão bem ampla do negócio. Mas no final do estágio eu já estava percebendo que o que eu queria a partir de então era trabalhar na parte pedagógica mesmo, impactando a vida dos alunos na ponta. Foi quando virei trainee e migrei para a pedagógica. Comecei em uma área de contextualização, ajudando a tornar o nosso material mais contextualizado, mais alinhado com o dia a dia do aluno. E depois fui para outro projeto, de habilidades de vida, que tem o objetivo de desenvolver habilidades socioemocionais nos alunos. Ajudei a criar um currículo de habilidade de vida para ser usado em nossas escolas, e em cima disso trabalhamos projetos e dinâmicas que desenvolvam habilidades como curiosidade, colaboração, pensamento crítico, perseverança, proatividade, entre outras. Logo que entrei para a Eleva, paralelamente também comecei a ser professor de matemática no Pense, uma de nossas marcas, pro sexto e setimo ano.

Conte um pouco sobre o seu dia a dia…
A Eleva está no começo, é uma empresa em crecimento, então não tenho exatamente um dia típico. Eu resolvo desde coisas mais processuais, como a diagramação do material, a entrega do material, até coisas mais macros como definição de currículo, treinamento de professores, feedbacks e redação de material escolar. Então eu basicamente participo de tudo, desde criação até implementação e o aperfeiçoamento das nossas práticas. E ainda dou aula!

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Ano passado, vocês emplacaram quatro escolas no “Top 15” do Enem. O que está por trás desse resultado?
Acho que é a criação de uma cultura de estudo. Nossas escolas têm essa cultura de que estudar é importante, leva você a algum lugar. Estudar transforma a sua vida. A gente tem caso de sucesso de alunos que vieram do Acre e hoje estão no MIT (Massachussets Institute of Technology), a melhor escola de engenharia do mundo. E isso a gente divulga para todo mundo. Então os alunos sabem que é possível você mudar a história da sua família e da sua vida por meio da educação. Outra coisa muito importante é a qualidade dos nossos professores. Para você se tornar um professor da rede da Eleva é muito difícil, você precisa fazer prova de aula, prova escrita, mostrar que consegue engajar os alunos, contextualizar a sua matéria. Ser professor é muito mais do que você só saber o conteúdo. É você saber, saber passar, e saber passar de uma forma engajadora. É por isso que estamos no “Top 15” do enem. Ele é uma prova contextualizada, que precisa que o aluno interpete situações do dia a dia e aplique conhecimento nessas questões, e a gente faz isso muito bem.